Nascer de novo

Páscoa II, terça-feira, dia 10 de Abril 2018
evangelho: João 3:7-15
Atos 4:32-37. Salmo 93

Um capítulo é uma avaliação da província, da vida do grupo, o trabalho do governo e do provincial. Mas, desde que nós juntos formamos a província, é inevitável que cada um de nós avalia a sua própria vida também. Sem dúvida: é mais fácil falar da situação em geral e das deficiências dos outros. Mas ao mesmo tempo cada religioso aqui é um irmão de todos os outros; nós compartilhamos da responsabilidade pela nossa vida. Portanto, avaliar a província signífica antes de tudo avaliar-se a se mesmos.

Nas leituras depois da Festa da Páscoa aprendemos que na fé, na esperança e no caridade nós somos uma familia. Como Congregação da Paixião, nós formamos uma familia de irmãos: espiritual e também fisicalmente. A nossa vida espiritual tem consequênçias pela nossa vida marterial. Como nós ouvimos na leitura dos Atos: os primeiros discípulos deram tudo na oração e também deram os seus bems inteiramente. O Senhor ajudou e ajuda-nos. O bom exemplo dos nossos irmãos ajude-nos – eu espero. Demos um ao outro o bom exemplo! O caso de José de Chipre [Ac 4,36s] mostra para nós que o seu ato – dar tudo – é verdadeiro, vivificando e possível. Assim a communidade era rica e os membros eram pobres mas sem penúria e sem carência. Isso se tornou o modelo da vida religiosa: a communidade é rica, os membros são pobres. Perseguir esse ideal é uma condição para o sucesso da nossa missão. Se não podemos viver autenticamente, não podemos contribuir adequadamente (= como “missionarios da Cruz, da Paixão”) para a proclamação do evangelho.

Para mim parece que nós, religiosos, falamos mais fácil do Espirito Santo e outros temas espirituais [Jo 3:8] que das coisas concretas e muito mais que viver de acordo. Mas na verdade Jesus diz a Nicodemus: “Se vos tenho falado das coisas terrenas e não Me credes, como crereis, se vos falar das celestias?” [Jo 3:12] Aí nós temos que começar com as coisas concretas: ajuda fraternal, tempo e atenção, simpatia, solidaridade concreta. Estamos crescendo na fé, na esperança e no caridade quando primeiro nós agimos de acordo com elas.

Em primeiro lugar isso não é um problema do governo provincial; pois, em primeiro lugar nós não devemos ser dirigido de fora, mas do dentro: compartilhando e dando, não porque isso é obrigatório, mas porque nós queremos dar-nos, de todo o coração!

Ha quasi quatro anos atrás que a nova província nasceu. Mas nós todos sabemos que uma nova strutura não é sufuciente para viver juntos como irmãos religiosos. Para isso nós devemos nascer de novo; a nossa mentalidade deve ser sempre renovada: “despojai-vos do homem velho” [Ef 4:22 cf. Col 3:9]. O nascimento de uma província é um evénto único. Porém, o nosso nascer de novo [Jo 3:7] aconteça de novo e de novo: passo a passo no caminho da cruz para a Festa da Páscoa e toda vez que celebremos o misério pascal.

Finalmente, em vista disso estou preocupado com o futuro da comunidade eclesial e da nossa Congregação. Sim, o Senhor ajudou e ajuda nos: pela sua Inspiração, pela sua Palavra e pelos sacramentos – e nós encontramos o Senhor nos nossos irmãos e irmas, no amigo e estranho, nos que sofrem e nos crucificados. Graças a Deus! Agora é o tempo para avaliar a Província, sim! Mas avaliemos na mesma Luz também o nosso próprio modo de vida – a fim de que nós nasçamos de novo e possamos crescer na fraternidade: para o bem da nossa missão, para o nosso bem-estar e para a nossa salvação. Amen.


Pe. Mark-Robin Hoogland cp
, (SPE) Provincial